segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Onde estava deus?



Muitos religiosos tentam nos convencer da existência de seu deus teista (Javé, no caso dos cristãos, Alá, nos caso dos mulçumanos, etc) usando o argumento da "maravilhara divina" ou dos "milagres". Eles dizem: “A minha filha tinha câncer. Eu fiz várias promessas para a Virgem Santíssima, e ela atendeu minhas preces, pois minha filha foi curada, foi um milagre! Como você pode não acreditar em DEUS depois disso?” ou então, no caso em que a pessoa não sobrevive: “A minha filha tinha câncer. Nós fizemos muitas orações, mas Deus quis levá-la, era a hora dela. Foi a vontade de Deus!”

O curioso é que, muitas vezes, a mesma pessoa diz as duas coisas (como se esse tal Deus fosse algo sádico). Isso geralmente ocorre quando a pessoa tem, por exemplo, uma filha com câncer e esta é tratada pelos médicos. Ai então a paciente tem uma melhora devido aos medicamentos e tratamentos aplicados no hospital, mas depois acaba falecendo, talvez pelo fato de nossa medicina ainda não ser suficientemente avançada para curar todos os casos de câncer. Quando a filha dela está melhor, ela diz que foi graças ao seu deus (suposto infinitamente justo e poderoso) que atende todas as suas preces honestas e suplicantes. Porém, quando a filha dela piora e morre, ela imediatamente muda seu discurso, dizendo que essa era a vontade do seu deus, que era o destino que ele teria escrito para ela. Isso me parece um sinal bem claro de que esta mãe desesperada está, (conscientemente ou não) usando a sua religião para se amparar, se confortar, diante da dura realidade de que não verá mais sua filha. Falando sem eufemismos: ela está se auto-enganando.

Entretando, não é só esse o problema. Na verdade, esse não é nem mesmo o problema mais grave dessa argumentação. O pior defeito desse tipo de discurso é que a pessoa que o utiliza geralmente não sabe ou não quer saber nada de história, ou mesmo nunca parou para pensar um pouco em como essa declaração de que “Deus salvou minha filha” é injusta e, no caso de um deus que dizem ser justo, totalmente contraditória.

Por um motivo ou por outro, essas pessoas ignoram completamente fatos que implodiriam sua fé na "justiça divina". A história humana está recheada de atrocidades que fariam qualquer fiel pensar melhor antes de sair por ai dizendo que o seu deus rei do universo é um poço infinito de justiça. Os incontáveis extermínios que já ocorreram e que ainda ocorrem no mundo, como o holocausto judeu na 2ª Guerra Mundial, ou os genocídios que ocorreram em Ruanda (1994), no Camboja (1975-1979) e na Armênia (1915) são só alguns exemplos disso. 



 Holocausto judeu na 2ª Guerra Mundial. 

 Genocídio na Armênia, em 1915.
Assassinato em massa no Japão, em agosto de 1945
E isso sem falar das tragédias que costumam ocorrer com maior freqüência pelo mundo, como tempestades que provocam deslizamentos de terra e assim matam habitantes (muitos deles certamente inocentes) de encostas desprotegidas, ou então criminosos que resolvem ir atrás de um casal de jovens que estavam acampando no meio do mato para assaltá-los, estuprá-los e depois matá-los, sem que deus quisesse impedir isso.

Tsunami de 2004 na Indonésia

De fato, se considerarmos o deus cristão, por exemplo, que dizem seus crentes ser um deus justo, onisciente e onipotente a situação é simplesmente absurda! Como um deus pode ser infinitamente justo e poderoso e ao mesmo tempo permitir que tais injustiças aconteçam? Será que é justo uma criança inocente morrer de fome aos 4 anos de idade, tendo passado esses 4 anos no meio de uma guerra suja e perdido os pais e toda sua família antes dela mesma morrer? Será que é justo uma pessoa nascer sem as pernas? Ou será que esse deus cristão não é justo? Ou será que ele não é onipotente? Talvez ele nem mesmo exista!

Afinal, quem foi que disse que esse deus (se é que existe...) seria justo, poderoso, bondoso, x, y ou z? Os apóstolos? Os Papas? Padres? Aqueles que escreveram a bíblia? Mas estes (mesmo de acordo com seus fiéis!), foram apenas seres humanos. E humanos são falíveis. E acho que isso já devia ser bastante claro, desde aquele tempo, em que dizem ter escrito livros como esse.

Para não me estender muito aqui, vou finalizar agora com um pedido. Você fiel de qualquer deus intervencionista (Javé, Alá, Zeus, Cronos, Apólo, Vênus, Quetzalcoatl, Jesus, Osíris, Amon-Rá, Monstro do Espaguete Voador, Espírito Santo, Athena ...), não diga absurdos como “Deus curou o meu filho”, ou “Deus fez o meu time de futebol ganhar o jogo no domingo”, ou “Graças a deus o meu filho nasceu perfeito”. Por que nem todos os filhos nascem com dois braços e duas pernas, nem todos têm suas vidas poupadas numa enchente, nem todos saem vivos e ilesos de um assalto, mesmo sendo inocentes. Mesmo aqueles que rezam para que seu deus lhes proteja do mal também são vítimas de tragédias, como vemos nos jornais todos os dias. Então, por favor, reflita um pouco antes de dizer:



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