segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O que é Ateísmo?

 


 Primeiramente, gostaria de deixar claro que não tenho formação acadêmica em psicologia, ou neurologia, ou filosofia, ou qualquer curso que seja. Na verdade estou fazendo Astronomia, e ainda nem terminei a graduação. Portanto, pode-se dizer que não sou nenhum especialista, em qualquer área que seja. Eu diria apenas que sou bastante curioso, me interesso por uma variedade relativamente grande de assuntos, apesar de ainda ser leigo na maioria deles.
Particularmente, alguns assuntos pelos quais me interesso bastante são: ateísmo e ciência. Mais particularmente, dentro de ciência, as áreas de psicologia humana e animal, biologia e astronomia. No fundo, um assunto que me chama muito a atenção é a discussão sobre o que seria a “vida”, sua origem (se é que houve uma origem para a vida ou para o universo) e suas fronteiras, isto é, até onde podemos considerar que algo é vivo ou animado. Dentro deste último tópico há ainda as áreas da robótica e da inteligência artificial. Porém, antes de falar em inteligência artificial deve-se observar que há vários tipos de inteligência, como a musical, a lógico-matemática, a emocional, a linguística, a espacial, entre outras. Este aliás é um dos aspectos da ciência que me deixa ao mesmo tempo intrigado e vislumbrado, quanto mais buscamos respostas, mais perguntas surgem. E talvez essas perguntas nunca sejam todas respondidas, talvez nem sejam elas mesmas finitas.


É fascinante saber que somos uma parte do universo que é capaz de pensar, questionar, raciocinar e até explicar como nós mesmos funcionamos. Na minha visão – e essa é apenas uma visão, uma opinião, algo em que eu acredito por um motivo ou por outro – nós humanos, assim como os outros animais, e as plantas, as montanhas, os rios, os oceanos, a atmosfera, a Terra, Marte, Netuno, o Sol, as outras estrelas, as galáxias, as células, as moléculas, os átomos, etc, podemos ser considerados como sistemas, dependentes, independentes ou interdependentes um do outro, dependendo de como se olha ou agrupa cada “sistema” para ser classificado. De acordo com essa visão, o que de fato me diferencia de um amontoado de água, carvão e alguns metais com a mesma massa que eu seria tão somente a forma como seus quarks e sua energia estão organizados, dispostos no espaço e no tempo. Digo aqui “quarks” pois até onde se sabe, tudo que é material, feito de átomos seria redutível a quarks.



Apesar de muitas pessoas considerarem essa visão extremamente reducionista e fria, eu a considero, muito pelo contrário, uma forma fascinante de entender o mundo. Penso que aquilo que tantos chamam de “alma”, “mente”, “consciência” (seja lá qual for o nome que se queira dar para isso) seria simplismente a “forma” do sistema, ou o modo como estão organizados e equilibrados os “átomos” ou os “quarks” juntamente com a energia (cinética, potencial, térmica, elétrica, ...) envolvida – se é que energia e matéria não são a mesma coisa. Assim, posso dizer que não acredito em nenhum tipo de “fluído vital” ou “espírito” ou qualquer outra que presuponha uma explicação sobrenatural, isto é, a existência de algum tipo de "coisa" que não seria nem matéria nem energia para constituir a tal da "alma" que os religiosos tanto insistem em acreditar que exista - apesar de nunca terem tido uma única evidência disso. Prefiro confiar naquilo que posso ver, ouvir, tocar ou mesmo sentir de maneira puramente emocioal. E honestamente, nunca senti nada que possa ser chamado de sobrenatural. Ao que me parece, tudo em que acredito pode ser explicado pela ciência, de uma forma ou de outra. E sinceramente, sempre de uma forma bem mais elegante e fascinante do que pela religião. 


Assim sendo, posso me considerar um ateu. Pois até onde eu sei, todos os tipos de deuses que existem nas várias mitologias humanas são personagens sobrenaturais (a lá Super-homem). E a minha definição de ateísmo é simplismente não crer em deuses. Claro que podemos também fazer aqui uma subdivisão do termo “ateísmo”. Você pode não acreditar em deuses, mas também pode acreditar que eles não existem. Há uma diferença sutil aqui. Penso que “não acreditar em deuses” vem de “não ter motivo para acreditar em deuses, ou seja, estar em paz consigo mesmo sem nenhum deus”. Enquanto que “acreditar que eles não existem” seria mais para “eu realmente acho que  deuses são meramente personagens mitológicos criados pelos homens, talvez com a intenção de ´explicar´ algo que na época da criação do mito ainda não teria nenhuma explicação embasada em fatos” ou algo assim. Nesse sentido, me enquadro nos casos, isto é, eu não acredito em deuses e, ao mesmo tempo, acredito sinceramente que eles não existam - para mim, são pura invenção humana.
Apesar de ter uma opinião forte nesse assunto e acreditar realmente na minha visão de mundo, posso respeitar pessoas com visões diferentes da minha. Desde que, é claro, a pessoa saiba o que é respeito e o pratique também. Honestamente, não dá para ter consideração por certas pessoas, que passam por cima de tudo e de todos para satisfazer seu próprio ego, explorando, humilhando e escravizando os outros, mental e até fisicamente, sempre que têm poder para isso. Creio que respeito deve ser algo mútuo, assim como a tolerância. E sinto que me é perfeitamente possível respeitar alguém que sabe respeitar a todos os seres que merecem respeito.
Autores - alguns bem explicitos, outros nem tanto mas igualmente sagazes - que recomendo para quem quiser conhecer mais sobre ateísmo e ciência:

Richard Dawkings
Carl Sagan  (esse é bem sagaz)
Sam Harris

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